domingo, agosto 07, 2005

 

Família e Espiritismo - Gilberto Tomasi

É desnecessário justificar a insistência do tema família e Espiritismo, pois é um assunto brindado com várias obras e capítulos dentro da literatura espírita.

Embora seja importante a família bem estruturada e organizada em termos materiais, há também a necessidade de uma estrutura espiritual apegada em bases evangélicas, para que o ambiente do lar esteja sempre harmonizado e equilibrado, permitindo assim que cada um dos seus componentes possam refazer em caráter permanente as suas energias espirituais.

Entretanto, para que a família crie estruturas sólidas e firmes, não basta apenas o trabalho no campo da evangelização. É necessário ainda, que exista uma relação mais profunda e harmoniosa, entre o casal, homem e mulher, que é a base do lar, formando uma agremiação na qual dois seres se conjugam, atendendo os vínculos de afeto, garantindo os alicerces firmes da civilização, porque é através dessa união que funciona o princípio da reencarnação, baseado nas leis divinas, e que possibilita o trabalho executivo dos mais elevados programas de ação do mundo espiritual.

Ë necessário respeitar a individualidade de cada um e o respeito que deve existir ao livre-arbítrio dos componentes da família, haja vista que todas os seus componentes, são espíritos em eterna evolução, com experiências e exposições em diferentes encarnações, e portanto, sofrendo as consequências e os impactos das vidas passadas, que acabam por se tornar significativas e promotoras possibilidades da estabilidade ou instabilidade da família.

Através de encarnações sucessivas, o casal se harmoniza pelo seu nível sócio-econômico, educacional e psicológico e, acima de tudo, pela a individualidade de cada um, ou seja, pelos traços de personalidade, inteligência geral, aptidões, interesses, valores, etc. Por isso é importante o aprendizado da auto-educação moral, que se constitui de exemplos vivos de fraternidade autêntica, dentro do lar e fora dele, e transmitir o fruto desta educação e vivências para aqueles que formam o universo familiar, que são os filhos (Vinícius).

Hermínio de Miranda, comenta que "família é instrumento de redenção individual". Mas, não possuindo equilíbrio, o casal acaba desestruturado espiritualmente (obsessão) e psicologicamente (realidades vividas), e logo não poderá desempenhar o seu papel de orientador, evangelizador e responsável pela família, portanto, ser família espírita, não significa isenção de problemas iguais a de outras famílias não espíritas.

O espírito traz consigo uma vocação para o casamento, que é o primeiro passo para a formação da família. Inicialmente essa vocação é impulsionada pelo desejo sexual, primitivamente mais voltado à procriação, e depois pela necessidade que o espírito tem de se associar à alguém nas suas realizações. O homem e a mulher buscam um companheiro para as suas necessidades e para, principalmente, o aprimoramento espiritual de ambos, fortalecendo assim os laços familiares.

"Sendo um animal social, geralmente monogâmico, o homem, na totalidade, somente se realiza quando divide necessidades e aspirações na conjuntura elevada do lar, portanto," portanto, na família não deve predominar o exercício do egoísmo, de compensação emocional restrita, onde um suga o alimento emotivo do outro. Isso não é família.

É no esforço comum entre marido e mulher, pais e filhos, esclarecidos sob a luz do evangelho, que a família pode resgatar o seu passado, conquistando no presente haveres para o futuro.

Todo comportamento humano pode ser examindado pelo binômio essência/aparência. Na família, há o relacionamento real e o que transparece, os quais nem sempre coincidem. Casais e famílias, pais e filhos, aparentemente integrados e felizes, podem estar desenvolvendo conflitos enormes, desajustes homéricos.

Outros que deixam transparecer suas divergências, talvez possuam um relacionamento profundo com ligações bastante sólidas. A impressão que se causa ( e não a que se quer causar) aos outros tem que ser real. Todo fingimento é desonesto.

O termômetro do casamento, e consequentemente da harmonia no lar, é o carinho. Quando ele termina, ou não existe nas conversas, no toque, no relacionamento sexual, há com certeza um aviso de rompimento parcial ou total de convivência. E o que faz com que o carinho, diminua ou desapareça: é o mando, a autoridade, o exclusivismo, a superioridade, desilusão, adultério, e o comportamento psicótico e o desprezo uni ou bi-lateral.

Existindo influência espiritual ou de terceiros, sejam entidades amigas ou inimigas sobre a família, quando ela é benéfica, tudo bem, pois existem espíritos simpáticos que se aproximam dos lares com a intenção de manter ou proporcionar o equilíbrio no relacionamento interpessoal.

No entanto, existindo influenciação maléfica, pode causar desequilíbrios tão maiores quanto maior for o grau de aceitação do sugestionamento espiritual.

E em ambos casos essa influência não recai apenas sobre o casal, mas em todos os familiares, determinando assim o clima ou psicosfera de todo o lar. O passado espiritual do casal, na ótica da reencarnação, corresponde a uma influência realmente muito importante na união de hoje. O casamento, não configura mero encontro ou mera ligação acidental entre as pessoas, mas faz parte de um processo antigo de acúmulo de experiências dos dois espíritos em busca da maturação espiritual. Portanto, a chamada afinidade, a compatibilidade de gênios, a compreensão mútua, podem ser aquisições antigas que são reafirmadas no presente.

Mas,quando as influências negativas predominam e encontram meio de proliferação, as consequencias obsessivas são diversas. O casal e os demais familiares passas a viver um inferno doméstico que pode levar a qualquer caminho.

E não existe maneira mais apropriada do que o bom relacionamento familiar para atingir os objetivos da familiares. Isso significa que o companheirismo, a solidariedade, os interesses comuns e a participação nas atividades do outro deveriam ser uma constante no casamento e na família.

Vance packard, jornalista americano, após quatro anos de pesquisa sobre o casamento, observou sete causas básicas de sucesso matrimonial:

1 - intensa capacidade de afeto, envolvida por grande consideração pelo outro.
2 - maturidade emocional
3 - habilidade em se comunicar (aqui grande problema)
4 - disposição constante de se alegrar com o outro e participar de acontecimentos com ele.
5 habilidade em lidar com tensões e diferenças, de forma sempre construtiva.
6 - disposição e bom humor em relação ao sexo.
7 - conhecimento e aceitação dos limites do outro (vida a dois - ed.tres).
É preciso, então, ser generoso, receptivo e afetuoso, além de tolerante para com os limites do outro.
Finalizando, Lembremos as palavras de Emannuel: “ A melhor escola ainda é o Lar. “

Consultas:
A Família e o Espiritismo (USE)
Vida a Dois (ed.três)
Seara dos Médiuns pág. 20
Deolindo Amorim (recordando deolindo)
Livro dos Espíritos
Evangelho Segundo o Espiritismo
Vida e Sexo (Emmanuel)
Gilberto L Tomasi
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