domingo, agosto 07, 2005

 

Conquista Moral - Gilberto Tomasi

Certamente, não seria possível transferir de ontem, do tempo de Jesus, para os nossos dias, a vivência evangélica. Naqueles dias, as circunstâncias se apresentavam diferentes por motivos históricos, sociológicos e psicológicos. Os tempos possuem suas próprias características, nada mais são do que trabalhos realizados pelo homem e que resultam de suas aquisições estruturadas no progresso moral e cultural, que acaba por marcar o século.

Há inumeráveis desafios que surgem a cada momento diante do homem, que, encontrando o conhecimento da verdade, luta para crescer e avançar para o caminho do bem. Mas, como existe, ainda, o predomínio dos instintos agressivos, a violência, a luxúria, a maledicência, o ciúme e o ódio, a cada passo o homem provoca a sua própria queda, o que atrasa seu crescimento moral.

Com a certeza da vida após a morte, o homem espírita deveria iniciar, em seu próprio eu, um trabalho de pacificação íntima, um esforço de fraternidade, um compromisso com a vida, ajustando-a a uma conduta pessoal rígida, que é a repetição do comportamento cristão primitivo, que tem aplicação em todas as épocas da história.

O espírita deve dar o exemplo, em todas as situações, com nobreza de alma, mediante a aplicação de seus dons morais, que é a síntese do verdadeiro progresso, que representa a mais preciosa conquista para fazê-lo realmente feliz, construindo ao seu redor, e em si mesmo, o templo da paz e do bem (espírito Miguel Vives y Vives).

Mas, com o tempo, se acentua e se vulgariza uma crença negativa entre alguns espíritas sem uma boa formação doutrinária, que é a transferência de responsabilidade em determinados acontecimentos, sempre dando a culpa aos espíritos desencarnados. Lembranças e heranças místicas e perniciosas levam o homem a generalizar que os fracassos da vida, as tragédias e os dissabores são produzidos pelos espíritos obsessores, os zombeteiros e os brincalhões que atuam, desordenadamente, fazendo das criaturas humanas, verdadeiras marionetes em suas mãos. Não há dúvidas de que os espíritos intervém em nossas vidas, mas não só os maus, mas também os justos e bons, os educadores e benfeitores. Nosso livre-arbítrio e a nossa sintonia moral são o que nos levam a este ou aquele caminho.

A responsabilidade moral se assenta em duas condições essenciais, que são conhecimento e liberdade. Do conhecimento - grau de instrução moral, cultura e formação - o homem dispõe da liberdade de atuar, isto é, determinar-se pela faculdade de trabalhar, ou não, sem coração de nenhum tipo. Como conseqüência de tal responsabilidade moral, o homem colhe os méritos e deméritos que lhe oferecem a ascensão ou queda em seu processo de crescimento espiritual.

O Espiritismo é a doutrina que impulsiona o homem ao aperfeiçoamento moral para evitar que ele deixe pelo caminho percorrido, pegadas negativas de sua caminhada. Principalmente o homem consciente de todas as suas responsabilidades, especialmente daquelas de natureza moral, que se ampliam em razão de suas contínuas conquistas rumo à libertação total das heranças inferiores, dos instintos primitivos.

A doutrina Espírita permite ao homem a conquista da intuição, que é o passo imediatamente superior da razão, para alcançar a sabedoria, que é culminância do amor e do conhecimento (espírito Amália Domingo Soler). O homem deve traçar sua caminhada evolutiva dentro da ética e da moral. Se deve a Cícero a tradução do adjetivo grego ethikós (que se refere ao costume) ao adjetivo latino moralis, do qual se derivou o substantivo moral, para ter a significação de ética. No entanto, pode-se chamar de moral, em seu caráter psicológico, o pertencente ao espírito, àquele que se opõe ao físico ou somático. Desse modo, o termo moral é sinônimo de bom, em franca oposição a imoral e a amoral.

A moral, portanto, na filosofia, é a regra de conduta que o homem deve seguir para viver em conformidade com sua natureza. E a ética pode ser definida como a arte de viver bem e ser feliz, conforme ensinava Pascal. A razão necessita distinguir quais são os juízos morais ou princípios fundamentais que se impõem para diferenciar o bom do mal, o honesto do desonesto, o digno e o imoral. E é destas distinções que se origina a responsabilidade moral, que se coloca como consciência moral com força e necessidade que conduzem à inteligência e o comportamento. (espírito Fernández Colavida).
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