domingo, junho 19, 2005

 

AUTODESPERTAMENTO

No livro O Problema do Ser, do Destino e da Dor, que é uma obra clássica da literatura espírita, Léon Denis faz uma abordagem profunda sobre a questão da poderosa rede de forças energéticas ocultas na criatura humana, que é merecedora de uma atenção toda especial da parte dos adpetos da doutrina espírita. Evidentemente inspirado, Léon Denis, que foi um desbravador do espiritismo, afirma que as causas da verdadeira felicidade e de tantos outros sentimentos nobres não se encontram em locais pré-determinados no espaço sideral, mas sim, nas profundezas da alma humana, devidamente ensinadas pelas doutrinas religiosas e em particular pelo próprio Jesus Cristo, quando afirmou: "O reino dos céus está dentro de vós."

É, portanto, na vida íntima de cada ser humano, onde se encontram as suas potencialidades que brotam por intermédio das suas faculdades e virtudes, portadoras de valores que vão projetar a felicidade e a evolução legítima por completo. Para se alcançar esse patamar é imprescendível o exercício do recolhimento íntimo, disciplinando-se a força de vontade que deseja identificar os sentidos psíquicos, localizados nas zonas mais profundas do ser. Em decorrência desses hábitos adquiridos pela auto-educação, ocorre o despertamento da consciência para as superiores realidades da vida. A introspecção possibilita, além do autoconhecimento, a lapidação das arestas imperfeitas do próprio caráter, com o afloramento gradual da humildade, o senso de justiça, amor e caridade. A força de vontade exerce uma influência fundamental para que o ser humano possa dominar-se, vencer dificuldades e solucionar problemas intrincados.

A vontade é uma força tão poderosa que pode atuar com intensidade suficiente sobre o envoltório fluídico do ser espiritual, ativando as suas vibrações e apropriando-o gradualmente para as sensaçãoes e emoções cada vez mais elevadas. Sob o efeito da vontade surgem a paciência, a perseverança e a autoconfiança, forças preservadoras das causas de desassossego e de perturbação interna e externa. A vontade, educada através do exercício persistente, pode levar o indivíduo a conseguir resultados prodigiosos no campo mental, com reflexos imediatos na conduta moral do homem.

Como diz o ditado popular "querer é poder", o ser humano, conhecendo os seus próprios recursos latentes, descobre o crescimento das suas forças, dirigindo os seus esforços, afim de superar as próprias fraquezas físicas e morais, desperta a consciência para iniciar a verticalização gradual da própria espiritualização. (Joana D’angelis)

No livro Vida, Desafios e Soluções, Divaldo Pereira Franco diz que “a fase inicial da vida, sob qualquer aspecto considerado, é a do sono”. Por isso mesmo, conforme sintetizou com muita propriedade Léon Denis, o psiquismo "dorme no mineral, sonha no vegetal, sente no animal e pensa no homem" e prossegue, com intensa capacidade da intuição, no anjo, adquirindo novas experiências sem cessar, infinitamente. Todo ser está fadado à perfeita sintonia com a consciência cósmica, que nele dorme, aguardando os fatores que lhe propiciem o desenvolvimento, o contínuo despertar.

Despertar, portanto, segundo Joana D’angelis, é indispensável, abondonando a letargia que procede das faixas por onde transitamos, libertando-nos do marasmo, em forma de sono da consciência, para as realidades transcendentes, escravizando o si nas paixões remanescentes, adormecidas, por sua vez, no inconsciente profundo, que prossegue enviando mensagens pessimistas e perturbadoras.

Conscientizar-se do que é, do que necessita fazer, de como conseguir o êxito, constitui, para o ser, chamamento urgente, como contribuição valiosa para o empenho na inadiável tarefa da revolução íntima transformadora. Não poucas vezes encontramos no comportamento humano as referências ao dormir, estar dormindo, adormecido, caracterizando estados existencias de criaturas. Certamente, a maiora está adormecida para as próprias realidades, para os desafios da evolução, para as conquistas do si.

Imediatamente apaixonada por interesses mesquinhos, mergulhada em sombas ou fascinada pelo doentio narcisismo, prefere permanecer em estado de consciência de sono, a experimentar o despertamento para a lucidez, portanto, para os compromissos em realação à vida e ao crescimento interior, que se lhe apresenta como um verdadeiro parto, no que tem razão. Despetar para a realidade nova da vida é como experimentar um parto interior, profundo, libertador, dorido e feliz.

Palestra efetuada ma Comunháo Espírita Cristã de Curitiba
Gilberto Luiz Tomasi.
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