sábado, junho 25, 2005

 

CRISE MORAL

A época em que vivemos é de perturbação e transição. A fé religiosa é pouca e as grandes linhas da filosofia do futuro não aparecem, senão a uns poucos pensadores. Certamente, a época atual é grande pela soma dos progressos realizados. A civilização moderna potentemente aparelhada transformou a face da Terra, aproximou os povos, suprimindo as distâncias. A instrução derramou-se, as instituições aprimoram-se, o direito substituiu o privilégio. Uma grande batalha empenha-se entre o passado, que não que morrer, e o futuro, que faz esforços por vir à vida. E em favor dessa luta, o mundo agita-se e marcha. Um impulso irreversível o arrasta e o caminho percorrido, os resultados adquiridos, fazem-nos anunciar conquistas mais admiráveis, mais maravilhosas ainda.

Mas se os progressos alcançados na ordem física e intelectual são notáveis é, pelo contrário, quase nulo o adiantamento moral do homem e, neste ponto, o mundo parece estar recuando. As sociedades humanas febrilmente absorvidas pelas questões políticas, industriais e financeiras sacrificam seus interesses morais em benefício do bem-estar material. Mesmo os progressos da civilização sendo visíveis sobre todos os aspectos, nem por isso, como tudo que é feito pelo homem, deixa de ter sombras por baixo. Isso porque, mesmo conseguindo melhorar as condições de existência, conseguiu também multiplicar as necessidades de satisfação pessoal, aguçando os apetites, os desejos, o sensualismo e a depravação. O amor do prazer, do luxo, das riquezas tornou-se mais e mais ardente. O homem quer adquirir, possuir, a todo o custo.

Essa necessidade do material, das falsas ilusões, resulta em especulações deprimentes que se ostentam à luz do dia, e daí advém esse rebaixamento da moral e da consciência, haja vista que a solidariedade e a fraternidade ocupam espaços apenas nos discursos. Ainda se morre de fome, ainda reina a corrupção, o vício, a injúria, a mentira, o homem enganando e matando seu semelhante. Nossos males existem. Apesar dos progressos da ciência e do desenvolvimento da instrução, o homem ignora a si próprio. Ele sabe pouco ou nada sabe das leis do universo, das forças que estão dentro de si. E assim sendo, a célebre frase de Sócrates, "conhece-te a ti mesmo", soa para a maioria apenas como um apelo estéril, porque a imensa maioria dos homens ainda ignora o que é, de onde veio, para onde vai, e qual o fim real de sua existência. Nessa dúvida, o espírito humano flutua, indeciso, entre as solicitações de duas grandes potências. De um lado, as religiões, com seus erros e superstições, seu espírito de dominação e intolerância, mas também com as consolações advindas da fé que elas pregam. De outro lado, a ciência, materialista tanto em seus princípios como em seus fins, com exagerada inclinação para o individualismo, mas também com o prestígio de seus trabalhos e descobertas.

E essas duas grandezas, a religião sem provas e a ciência sem ideal, combatem-se, sem poderem vencer, porque cada uma delas corresponde a uma necessidade imperiosa do homem: uma fala ao coração (religião), e a outra dirige-se ao espírito e à razão (ciência). No meio dessa confusão de idéias, a consciência perde sua bússola e sua rota e, ansiosa, caminha ao acaso. E na incerteza que sobre ela pesa o bem e o justo se perdem, e a conseqüência desse conflito se faz sentir por toda a parte: no ensino, na família, na sociedade. Para a humanidade sair deste estado de crise só há uma solução: achar um caminho de conciliação entre duas forças inimigas: o sentimento e a razão, para que as duas possam se unir para o bem e a salvação de todos. Pois, pelo sentimento, o homem pensa e pela razão, procede. Havendo um acordo entre pensar e proceder, haverá ao espírito o equilíbrio e a harmonia.

Gilberto Luiz Tomasi
 

A LEI DO AMOR

Segundo Leon Denis, o amor é a celeste atração das almas e dos mundos, é a potência Divina que liga e governa os universos, o amor é o olhar de Deus. Para Platão, o amor é o mais antigo, o mais nobre e o mais poderoso dos Deuses e o principal autor e inspirador da virtude nesta vida e da felicidade depois da morte. Já Leocadio José Correa, diz que o amor constitui a possibilidade infinita.

Mas, não podemos designar com tal nome a ardente paixão que atiça tão somente os desejos carnais. Esta não passa de uma imagem, de uma grosseira aparência do amor. O amor é o sentimento superior em que se fundem e se harmonizam todas as qualidades do coração, é o coroamento das virtudes humanas, da doçura, da caridade, da bondade, é a manifestação na alma de uma força que nos eleva acima da matéria.

A liberdade humana será sempre limitada e não poderá atingir sua plenitude se não pelo amor, e esse amor só será autêntico quando transforma a nossa vida em participação, em alegria, levando-nos a descobrir que, além de nós, existem os outros, com quem queiramos ou não teremos de conviver. E nesta convivência, só é capaz de amar, aquele que sabe: 1) Dar-se aos outros em espírito e verdade; 2} Renunciar sem manter a revolta em seu interior; 3} Esquecer ofensas, limitando-se a aceitar antes de reclamar; 4} Desprender-se das futilidades terrenas, sabendo controlar a emoção, a sensibilidade, a sensualidade e a mentira.

A vida é sol, terra, cosmos, é tudo o que o criador nos oferece para alcançarmos pelo trabalho, compreensão, caridade, fé, tolerância, prudência e pelo amor, que é a evolução inteligente. Portanto, quando nos inclinamos a dizer: Chega, cansei, vou mudar, vou ser ruim, vou dar o troco, vou viver a minha vida, estamos apenas demonstrando a nossa pequenez e inferioridade, pois amar não cansa, ao contrário nos traz mais disposição, alívio, força, porque o amor representa compreensão, dedicação, tolerância, construtividade do mundo, preocupação com os deveres, que por sua vez representam a vida do próximo, mas acima de tudo representa objetividade não apenas na evolução própria, mas também na evolução coletiva.

Joana d`Angelis nos alerta que sempre que estivermos tristes, angustiados, deprimidos, enfim com qualquer tipo de problema, lembremos do amor. Quando estivermos sendo perseguidos, ou quando estivermos perseguindo, lembremos do amor, e com certeza teremos todos os problemas resolvidos.

Somente haverá maior aproximação entre os homens, quando houver realmente uma aproximação dentro do grupo biológico - a família – porque o amor deve ser desenvolvido dentro do lar, onde geralmente estão reunidos os espíritos que precisam de reconciliação, de acertos, e para isso, é necessário varrer o ódio de seu íntimo, do seu coração.

Leon Denis lembra, que algum dia nos encontraremos, quer neste mundo, quer nas existências vindouras, quer em esferas mais elevadas ou na imensidão dos espaços. Devemos pois saber que somos destinados a nos influenciarmos no sentido do bem e a nos ajudarmos na ascensão comum, pois somos todos filhos de um mesmo Deus, e todos os seres foram criados para amar.

Gilberto Luiz Tomasi
Depois da Morte (Leon Denis)
Mensagens de Amor (Mauri Rodrigues, Leocadio José Correa)
Grandes e Pequenos Problemas (Angel Aguarod)
O Espírito na Criação (Arsênio Ravolieri)

domingo, junho 19, 2005

 

AUTODESPERTAMENTO

No livro O Problema do Ser, do Destino e da Dor, que é uma obra clássica da literatura espírita, Léon Denis faz uma abordagem profunda sobre a questão da poderosa rede de forças energéticas ocultas na criatura humana, que é merecedora de uma atenção toda especial da parte dos adpetos da doutrina espírita. Evidentemente inspirado, Léon Denis, que foi um desbravador do espiritismo, afirma que as causas da verdadeira felicidade e de tantos outros sentimentos nobres não se encontram em locais pré-determinados no espaço sideral, mas sim, nas profundezas da alma humana, devidamente ensinadas pelas doutrinas religiosas e em particular pelo próprio Jesus Cristo, quando afirmou: "O reino dos céus está dentro de vós."

É, portanto, na vida íntima de cada ser humano, onde se encontram as suas potencialidades que brotam por intermédio das suas faculdades e virtudes, portadoras de valores que vão projetar a felicidade e a evolução legítima por completo. Para se alcançar esse patamar é imprescendível o exercício do recolhimento íntimo, disciplinando-se a força de vontade que deseja identificar os sentidos psíquicos, localizados nas zonas mais profundas do ser. Em decorrência desses hábitos adquiridos pela auto-educação, ocorre o despertamento da consciência para as superiores realidades da vida. A introspecção possibilita, além do autoconhecimento, a lapidação das arestas imperfeitas do próprio caráter, com o afloramento gradual da humildade, o senso de justiça, amor e caridade. A força de vontade exerce uma influência fundamental para que o ser humano possa dominar-se, vencer dificuldades e solucionar problemas intrincados.

A vontade é uma força tão poderosa que pode atuar com intensidade suficiente sobre o envoltório fluídico do ser espiritual, ativando as suas vibrações e apropriando-o gradualmente para as sensaçãoes e emoções cada vez mais elevadas. Sob o efeito da vontade surgem a paciência, a perseverança e a autoconfiança, forças preservadoras das causas de desassossego e de perturbação interna e externa. A vontade, educada através do exercício persistente, pode levar o indivíduo a conseguir resultados prodigiosos no campo mental, com reflexos imediatos na conduta moral do homem.

Como diz o ditado popular "querer é poder", o ser humano, conhecendo os seus próprios recursos latentes, descobre o crescimento das suas forças, dirigindo os seus esforços, afim de superar as próprias fraquezas físicas e morais, desperta a consciência para iniciar a verticalização gradual da própria espiritualização. (Joana D’angelis)

No livro Vida, Desafios e Soluções, Divaldo Pereira Franco diz que “a fase inicial da vida, sob qualquer aspecto considerado, é a do sono”. Por isso mesmo, conforme sintetizou com muita propriedade Léon Denis, o psiquismo "dorme no mineral, sonha no vegetal, sente no animal e pensa no homem" e prossegue, com intensa capacidade da intuição, no anjo, adquirindo novas experiências sem cessar, infinitamente. Todo ser está fadado à perfeita sintonia com a consciência cósmica, que nele dorme, aguardando os fatores que lhe propiciem o desenvolvimento, o contínuo despertar.

Despertar, portanto, segundo Joana D’angelis, é indispensável, abondonando a letargia que procede das faixas por onde transitamos, libertando-nos do marasmo, em forma de sono da consciência, para as realidades transcendentes, escravizando o si nas paixões remanescentes, adormecidas, por sua vez, no inconsciente profundo, que prossegue enviando mensagens pessimistas e perturbadoras.

Conscientizar-se do que é, do que necessita fazer, de como conseguir o êxito, constitui, para o ser, chamamento urgente, como contribuição valiosa para o empenho na inadiável tarefa da revolução íntima transformadora. Não poucas vezes encontramos no comportamento humano as referências ao dormir, estar dormindo, adormecido, caracterizando estados existencias de criaturas. Certamente, a maiora está adormecida para as próprias realidades, para os desafios da evolução, para as conquistas do si.

Imediatamente apaixonada por interesses mesquinhos, mergulhada em sombas ou fascinada pelo doentio narcisismo, prefere permanecer em estado de consciência de sono, a experimentar o despertamento para a lucidez, portanto, para os compromissos em realação à vida e ao crescimento interior, que se lhe apresenta como um verdadeiro parto, no que tem razão. Despetar para a realidade nova da vida é como experimentar um parto interior, profundo, libertador, dorido e feliz.

Palestra efetuada ma Comunháo Espírita Cristã de Curitiba
Gilberto Luiz Tomasi.

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