domingo, agosto 07, 2005

 

Família e Espiritismo - Gilberto Tomasi

É desnecessário justificar a insistência do tema família e Espiritismo, pois é um assunto brindado com várias obras e capítulos dentro da literatura espírita.

Embora seja importante a família bem estruturada e organizada em termos materiais, há também a necessidade de uma estrutura espiritual apegada em bases evangélicas, para que o ambiente do lar esteja sempre harmonizado e equilibrado, permitindo assim que cada um dos seus componentes possam refazer em caráter permanente as suas energias espirituais.

Entretanto, para que a família crie estruturas sólidas e firmes, não basta apenas o trabalho no campo da evangelização. É necessário ainda, que exista uma relação mais profunda e harmoniosa, entre o casal, homem e mulher, que é a base do lar, formando uma agremiação na qual dois seres se conjugam, atendendo os vínculos de afeto, garantindo os alicerces firmes da civilização, porque é através dessa união que funciona o princípio da reencarnação, baseado nas leis divinas, e que possibilita o trabalho executivo dos mais elevados programas de ação do mundo espiritual.

Ë necessário respeitar a individualidade de cada um e o respeito que deve existir ao livre-arbítrio dos componentes da família, haja vista que todas os seus componentes, são espíritos em eterna evolução, com experiências e exposições em diferentes encarnações, e portanto, sofrendo as consequências e os impactos das vidas passadas, que acabam por se tornar significativas e promotoras possibilidades da estabilidade ou instabilidade da família.

Através de encarnações sucessivas, o casal se harmoniza pelo seu nível sócio-econômico, educacional e psicológico e, acima de tudo, pela a individualidade de cada um, ou seja, pelos traços de personalidade, inteligência geral, aptidões, interesses, valores, etc. Por isso é importante o aprendizado da auto-educação moral, que se constitui de exemplos vivos de fraternidade autêntica, dentro do lar e fora dele, e transmitir o fruto desta educação e vivências para aqueles que formam o universo familiar, que são os filhos (Vinícius).

Hermínio de Miranda, comenta que "família é instrumento de redenção individual". Mas, não possuindo equilíbrio, o casal acaba desestruturado espiritualmente (obsessão) e psicologicamente (realidades vividas), e logo não poderá desempenhar o seu papel de orientador, evangelizador e responsável pela família, portanto, ser família espírita, não significa isenção de problemas iguais a de outras famílias não espíritas.

O espírito traz consigo uma vocação para o casamento, que é o primeiro passo para a formação da família. Inicialmente essa vocação é impulsionada pelo desejo sexual, primitivamente mais voltado à procriação, e depois pela necessidade que o espírito tem de se associar à alguém nas suas realizações. O homem e a mulher buscam um companheiro para as suas necessidades e para, principalmente, o aprimoramento espiritual de ambos, fortalecendo assim os laços familiares.

"Sendo um animal social, geralmente monogâmico, o homem, na totalidade, somente se realiza quando divide necessidades e aspirações na conjuntura elevada do lar, portanto," portanto, na família não deve predominar o exercício do egoísmo, de compensação emocional restrita, onde um suga o alimento emotivo do outro. Isso não é família.

É no esforço comum entre marido e mulher, pais e filhos, esclarecidos sob a luz do evangelho, que a família pode resgatar o seu passado, conquistando no presente haveres para o futuro.

Todo comportamento humano pode ser examindado pelo binômio essência/aparência. Na família, há o relacionamento real e o que transparece, os quais nem sempre coincidem. Casais e famílias, pais e filhos, aparentemente integrados e felizes, podem estar desenvolvendo conflitos enormes, desajustes homéricos.

Outros que deixam transparecer suas divergências, talvez possuam um relacionamento profundo com ligações bastante sólidas. A impressão que se causa ( e não a que se quer causar) aos outros tem que ser real. Todo fingimento é desonesto.

O termômetro do casamento, e consequentemente da harmonia no lar, é o carinho. Quando ele termina, ou não existe nas conversas, no toque, no relacionamento sexual, há com certeza um aviso de rompimento parcial ou total de convivência. E o que faz com que o carinho, diminua ou desapareça: é o mando, a autoridade, o exclusivismo, a superioridade, desilusão, adultério, e o comportamento psicótico e o desprezo uni ou bi-lateral.

Existindo influência espiritual ou de terceiros, sejam entidades amigas ou inimigas sobre a família, quando ela é benéfica, tudo bem, pois existem espíritos simpáticos que se aproximam dos lares com a intenção de manter ou proporcionar o equilíbrio no relacionamento interpessoal.

No entanto, existindo influenciação maléfica, pode causar desequilíbrios tão maiores quanto maior for o grau de aceitação do sugestionamento espiritual.

E em ambos casos essa influência não recai apenas sobre o casal, mas em todos os familiares, determinando assim o clima ou psicosfera de todo o lar. O passado espiritual do casal, na ótica da reencarnação, corresponde a uma influência realmente muito importante na união de hoje. O casamento, não configura mero encontro ou mera ligação acidental entre as pessoas, mas faz parte de um processo antigo de acúmulo de experiências dos dois espíritos em busca da maturação espiritual. Portanto, a chamada afinidade, a compatibilidade de gênios, a compreensão mútua, podem ser aquisições antigas que são reafirmadas no presente.

Mas,quando as influências negativas predominam e encontram meio de proliferação, as consequencias obsessivas são diversas. O casal e os demais familiares passas a viver um inferno doméstico que pode levar a qualquer caminho.

E não existe maneira mais apropriada do que o bom relacionamento familiar para atingir os objetivos da familiares. Isso significa que o companheirismo, a solidariedade, os interesses comuns e a participação nas atividades do outro deveriam ser uma constante no casamento e na família.

Vance packard, jornalista americano, após quatro anos de pesquisa sobre o casamento, observou sete causas básicas de sucesso matrimonial:

1 - intensa capacidade de afeto, envolvida por grande consideração pelo outro.
2 - maturidade emocional
3 - habilidade em se comunicar (aqui grande problema)
4 - disposição constante de se alegrar com o outro e participar de acontecimentos com ele.
5 habilidade em lidar com tensões e diferenças, de forma sempre construtiva.
6 - disposição e bom humor em relação ao sexo.
7 - conhecimento e aceitação dos limites do outro (vida a dois - ed.tres).
É preciso, então, ser generoso, receptivo e afetuoso, além de tolerante para com os limites do outro.
Finalizando, Lembremos as palavras de Emannuel: “ A melhor escola ainda é o Lar. “

Consultas:
A Família e o Espiritismo (USE)
Vida a Dois (ed.três)
Seara dos Médiuns pág. 20
Deolindo Amorim (recordando deolindo)
Livro dos Espíritos
Evangelho Segundo o Espiritismo
Vida e Sexo (Emmanuel)
Gilberto L Tomasi
 

Meditando - O Encontro com a Alma

A voz interior afirmando: todas as forças do Universo estão ao alcance da tua vontade . Coragem, tens diante de teus olhos, de tua consciência, de tua vontade, um horizonte prodigioso para percorrer, descobrir e aprender.

E ainda que na visão da Terra percebas a morte, o espírito te dará plena consciência da imortalidade. Cada experiência é sempre exercício de vida, transformação, novo sentido na interpretação do Universo.

Não te esqueças de que és livre, não te iludas pelos muros levantados pelos sentidos da matéria, tais como o medo, comida, poder material, honrarias, preguiça, sono, mentira, vaidade, orgulho, ódio e vingança.

Penetra no silêncio do teu ser, e ali te encontrarás por inteiro.

Poderás, então, dialogar com franqueza com tua própria alma.

Levanta, caminha, luta, derrubando todas as barreiras que possa te fazer frente à conquista do bem, do autoconhecimento, da iluminação interior.

Aperfeiçoa-te, a ti mesmo.

Procura compreender com profundidade, dignidade, estudo, pesquisa, paciência, o processo da evolução.

A meditação é o encontro da alma com a alma. É intensa a luz na caminhada evolutiva.

O consolo, o conforto, o carinho, o afago, uma palavra, um olhar, um toque, desmorona qualquer ato de perturbação.

Tua evolução só será completa quando conseguires deixar de lado o radicalismo, a indiferença, a ausência para com teu próximo, pois isso o fará crescer espiritualmente.

Preencha a carência afetiva daqueles que lhe são caros, e busque também neles aquela força espiritual que lhe falta, para que seja formada uma cadeia de amor, harmonia, felicidade,luz e esperança.
 

Conquista Moral - Gilberto Tomasi

Certamente, não seria possível transferir de ontem, do tempo de Jesus, para os nossos dias, a vivência evangélica. Naqueles dias, as circunstâncias se apresentavam diferentes por motivos históricos, sociológicos e psicológicos. Os tempos possuem suas próprias características, nada mais são do que trabalhos realizados pelo homem e que resultam de suas aquisições estruturadas no progresso moral e cultural, que acaba por marcar o século.

Há inumeráveis desafios que surgem a cada momento diante do homem, que, encontrando o conhecimento da verdade, luta para crescer e avançar para o caminho do bem. Mas, como existe, ainda, o predomínio dos instintos agressivos, a violência, a luxúria, a maledicência, o ciúme e o ódio, a cada passo o homem provoca a sua própria queda, o que atrasa seu crescimento moral.

Com a certeza da vida após a morte, o homem espírita deveria iniciar, em seu próprio eu, um trabalho de pacificação íntima, um esforço de fraternidade, um compromisso com a vida, ajustando-a a uma conduta pessoal rígida, que é a repetição do comportamento cristão primitivo, que tem aplicação em todas as épocas da história.

O espírita deve dar o exemplo, em todas as situações, com nobreza de alma, mediante a aplicação de seus dons morais, que é a síntese do verdadeiro progresso, que representa a mais preciosa conquista para fazê-lo realmente feliz, construindo ao seu redor, e em si mesmo, o templo da paz e do bem (espírito Miguel Vives y Vives).

Mas, com o tempo, se acentua e se vulgariza uma crença negativa entre alguns espíritas sem uma boa formação doutrinária, que é a transferência de responsabilidade em determinados acontecimentos, sempre dando a culpa aos espíritos desencarnados. Lembranças e heranças místicas e perniciosas levam o homem a generalizar que os fracassos da vida, as tragédias e os dissabores são produzidos pelos espíritos obsessores, os zombeteiros e os brincalhões que atuam, desordenadamente, fazendo das criaturas humanas, verdadeiras marionetes em suas mãos. Não há dúvidas de que os espíritos intervém em nossas vidas, mas não só os maus, mas também os justos e bons, os educadores e benfeitores. Nosso livre-arbítrio e a nossa sintonia moral são o que nos levam a este ou aquele caminho.

A responsabilidade moral se assenta em duas condições essenciais, que são conhecimento e liberdade. Do conhecimento - grau de instrução moral, cultura e formação - o homem dispõe da liberdade de atuar, isto é, determinar-se pela faculdade de trabalhar, ou não, sem coração de nenhum tipo. Como conseqüência de tal responsabilidade moral, o homem colhe os méritos e deméritos que lhe oferecem a ascensão ou queda em seu processo de crescimento espiritual.

O Espiritismo é a doutrina que impulsiona o homem ao aperfeiçoamento moral para evitar que ele deixe pelo caminho percorrido, pegadas negativas de sua caminhada. Principalmente o homem consciente de todas as suas responsabilidades, especialmente daquelas de natureza moral, que se ampliam em razão de suas contínuas conquistas rumo à libertação total das heranças inferiores, dos instintos primitivos.

A doutrina Espírita permite ao homem a conquista da intuição, que é o passo imediatamente superior da razão, para alcançar a sabedoria, que é culminância do amor e do conhecimento (espírito Amália Domingo Soler). O homem deve traçar sua caminhada evolutiva dentro da ética e da moral. Se deve a Cícero a tradução do adjetivo grego ethikós (que se refere ao costume) ao adjetivo latino moralis, do qual se derivou o substantivo moral, para ter a significação de ética. No entanto, pode-se chamar de moral, em seu caráter psicológico, o pertencente ao espírito, àquele que se opõe ao físico ou somático. Desse modo, o termo moral é sinônimo de bom, em franca oposição a imoral e a amoral.

A moral, portanto, na filosofia, é a regra de conduta que o homem deve seguir para viver em conformidade com sua natureza. E a ética pode ser definida como a arte de viver bem e ser feliz, conforme ensinava Pascal. A razão necessita distinguir quais são os juízos morais ou princípios fundamentais que se impõem para diferenciar o bom do mal, o honesto do desonesto, o digno e o imoral. E é destas distinções que se origina a responsabilidade moral, que se coloca como consciência moral com força e necessidade que conduzem à inteligência e o comportamento. (espírito Fernández Colavida).
 

Momento Espírita - A Verdadeira Beleza

Estamos vivendo um tempo em que a beleza física é a grande preocupação. Prolifera o número de academias de ginástica para a malhação, aumenta o número de clínicas de estética.

As artistas são questionadas a respeito dos seus segredos para se manterem belas, jovens e de corpo perfeito.

Observa-se que as adolescentes em especial buscam o mundo da moda, desejam se tornar modelos, não medindo esforços para isso.

Em nome da beleza física, homens e mulheres se submetem aos tratamentos mais diversos, internam-se em clínicas especializadas, passam finais de semana em locais de repouso.

E cada um tem a sua fórmula especial, o seu segredo de beleza, alimentação balanceada, beber muita água, comer frutas e vegetais, tomar sol em horas certas, cremes, massagens, terapias com ervas, banhos, etc.

Uma das grandes atrizes do cinema americano, a belga Audrey Hepbum, que marcou sua presença nas telas vivendo a adolescente espirituosa e sofisticada, quando indagada a respeito, sintetizou em dez itens as suas dicas de beleza:

"Primeiro, se desejar lábios atraentes, fale palavras de ternura.

Segundo, se pretender ter olhos encantadores, procure ver sempre o lado positivo das pessoas.

Terceiro, para uma silhueta esguia, compartilhe a sua comida com aquele que tem fome.

Quarto, para cabelos bonitos, deixe uma criança passar os dedos entre eles uma vez ao dia.

Quinto, para a postura, caminhe com sabedoria, pois você nunca andará só.

Sexto, nunca despreze ninguém. Muito mais do que as coisas, as pessoas devem ser restauradas, revividas, requisitadas, perdoadas.

Sétimo, lembre que se um dia precisar de uma mão amiga, você encontrará na extremidade de cada um dos seus braços. Na medida em que você for envelhecendo, descobrirá que tem duas mãos: uma para ajudar a você, a outra para ajudar os outros.

Oitavo, a beleza de uma mulher não está nas roupas que ela veste, na imagem que ela carrega ou no penteado de seus cabelos. A beleza de uma mulher deve ser vista nos seus olhos, pois esta é a porta de entrada para o seu coração, o lugar onde o amor reside.

Nono, a beleza de uma mulher não está num tipo de rosto, mas a verdadeira beleza numa mulher está refletida na sua alma, no caminho que ela cuidadosamente dá, na paixão que ela mostra.

E, finalmente, o décimo e último item, a beleza de uma mulher cresce com o passar dos anos".

A verdadeira beleza reside além da imagem física, que é sempre passageira.

A verdadeira beleza é a do espírito que se irradia pelo semblante, iluminando os olhos, adoçando os gestos, modulando a voz.

A verdadeira beleza resiste ao tempo, ao passar dos anos e se expressa na meiguice do olhar, na serenidade da face, no carinho dos gestos.

A verdadeira beleza é imortal.

Equipe de redação do Momento Espírita, com base em texto atribuído a Audrey Hepbum, intitulado Dicas de Beleza de Audrey Hepbum.
 

Tensão Emocional - enviado por Luzia Tomasi

Não raro, encontramos, aqui e ali, os irmãos doentes por desajustes emocionais.

Quase sempre, não caminham. Arrastam-se. Não dialogam. Cultuam a queixa e a lamentação.

E provado está que, na Terra, a tensão emocional da criatura encarnada se dilata com o tempo.

Insegurança, conflito íntimo, frustração, tristeza, desânimo, cólera, inconformidade e apreensão, com outros estados negativos da alma, espancam sutilmente o corpo físico, abrindo campo a moléstias de etiologia obscura, à força de se repetirem constantemente, dilapidando o cosmo orgânico.

Se consegues aceitar a existência de Deus e a prática salutar dessa ou daquela religião em que mais te reconfortes, preserva-te contra semelhante desequilíbrio.

Começa, aceitando a própria vida, tal qual é, procurando melhorá-la com paciência.

Aprende a estimar os outros, como se te apresentem, sem exigir-lhes mudanças imediatas.

Dedica-te ao trabalho em que te sustentes, sem desprezar a pausa de repouso ou o entretenimento em que se te restaurem as energias.

Serve ao próximo, tanto quanto puderes.

Detém-te no lado melhor das situações e das pessoas, esquecendo o que te pareça inconveniente ou desagradável.

Não carregues ressentimentos.

Cultiva a simplicidade, evitando a carga de complicações e de assuntos improdutivos que te furtem a paz.

Admite o fracasso por lição proveitosa, quando o fracasso possa surgir.

Tempera a conversação com o fermento da esperança e da alegria.

Tanto quanto possível, não te faças problema para ninguém, empenhando-te a zelar por ti mesmo .

Se amigos te abandonam, busca outros que te consigam compreender com mais segurança.

Quando a lembrança do passado não contenha valores reais, olvida o que já se foi, usando o presente na edificação do futuro melhor.

Se o inevitável acontece, aceita corajosamente as provas em vista, na certeza de que todas as criaturas atravessam ocasiões de amarguras e lágrimas.

Oferece um sorriso de simpatia e bondade, seja a quem for.

Quanto à morte do corpo, não penses nisso, guardando a convicção de que ninguém existiu no mundo sem a necessidade de enfrentá-la.

E, trabalhando e servindo, sem esperar outra recompensa que não seja a bênção da paz na consciência própria, nenhuma tensão emocional te criará desencanto ou doença, de vez que cumpres o teu dever com sinceridade, quando te falte força, Deus te sustentará e onde não possas fazer todo o bem que desejas realizar Deus fará sempre a parte mais importante.

Emmanuel
(Psicografado por Chico Xavier)

quinta-feira, julho 14, 2005

 

MEDITAÇÃO - por Joilson Mendes

Sabe-se que a meta do ser humano é a autorealização, ou a “iluminação” como dizem os iogues orientais. Estamos na Terra com a finalidade de evoluirmos espiritualmente, muito já foi falado a respeito, Jesus, nosso exemplo maior, nos deixou ensinamentos preciosos para atingirmos os mais altos graus evolutivos, dos quais citamos: a prática da caridade, o orai e vigiai, o perdoar para ser perdoado e a frase “Busca a verdade e a verdade te libertará.”

Em sua obra psicológica, Joanna de Angelis comenta sobre a busca da “verdade”, ou seja, o conhecimento de si. Pode parecer estranho, mas a realidade é que nós não nos conhecemos, devido ao fato de que durante as sucessivas reencarnações desenvolvemos uma infinidade de “eus”, agregados psicológicos, que atrapalham nossa evolução. Eliminá-los é nossa tarefa, e necessitamos da interiorização para conquistarmos a autorealização.

No livro “O Ser Consciente”, Joanna, por intermédio da psicografia de Divaldo Franco, informa que os habitantes da Terra não conseguem encontrar o caminho da paz e vivem num ciclo vicioso de guerras devastadoras devido aos “...Apegos morais, emocionais, culturais, pessoais, a objetos, a raças, a grupos sociais...”. Afirma, ainda, que: “A única maneira de lográ-los, é viajar para dentro de si, domando a mente irrequieta – que os orientais chamam o “macaco louco que salta de galho em galho” – e induzi-la à reflexão, ao autodescobrimento”.

Na obra “Vida, desafios e soluções”, Joanna é de parecer “que a meditação [...] oferece os melhores recursos para a incursão profunda”, no ser. Comentando sobre a raiva, agregado psicológico que é movido pelo instinto, em “Autodescobrimento” Joanna ensina que “A meditação deve ser buscada também, para auxiliar na análise das origens do acontecimento...”. Diante das observações acima, questionemos: O que é meditação? Como meditar?

Dentre os vários conceitos encontrados sobre meditação, concordamos com Clovis (1982), que “...meditação são todos os momentos da vida vividos em plena consciência”. O que não é fácil de conseguir, visto que, dificilmente estamos com a atenção voltada para o presente, para o que estamos realizando neste exato momento. Dizem os estudiosos da mente que podemos meditar na ação, quando estiver comendo, coma; quando estiver lendo, leia; quando estiver lavando a louça, lave a louça.

Parece um paradoxo, como pode ser isto? Acontece que na maioria das vezes, quando estamos comendo, nossa mente está em outro local, ou no passado ou em alguma perspectiva de futuro, o que fiz ou o que terei de fazer, e quase nunca estamos presentes no exato momento da refeição. Quando lavamos uma louça, também damos asas à imaginação ou nos focamos nas lembranças do passado. Por isso meditar é estar presente, com a consciência desperta no que se está fazendo. Meditar é deixar a mente livre, é a não ação da mente, se os pensamentos surgirem, deixe-os, eles vem e vão, podemos usar a metáfora de um observador, apenas observe seus pensamentos sem interferir.

Osho (2002), ensina que “Quando você não estiver fazendo absolutamente nada, seja física ou mentalmente ou em qualquer outro nível, quando toda a atividade houver cessado e você estiver apenas sendo, isto é meditação”. Aconselha a pararmos em determinados momentos do dia para sermos, entrarmos em contado com o nosso interior e desfrutarmos do momento de relaxamento e bem estar que, com certeza, acontecerá.

Outro exercício prático voltado ao autoconhecimento é o seguinte: Sente-se com as costas retas, respire fundo, feche os olhos e relaxe. Agora, pergunte mentalmente – Quem sou eu? Deixe as respostas surgirem naturalmente, sem reprimi-las ou censurá-las, apenas observe e continue com a indagação – Que sou eu? Sou estes pensamentos? Sou o corpo físico? Quem sou eu? Sou as sensações? Quem sou eu? Quem sou eu? Não é necessário responder às perguntas, apenas observe as respostas e reflita sobre elas.

Aprenda a silenciar a mente tagarela, a meditação é muito simples e por seu intermédio poderemos encontrar a “verdade” sobre nós, a meditação o tornará mais consciente, mais desperto, proporcionará uma melhor qualidade de vida, alie-a a prática da caridade e com uma certa dose de disciplina poderá atingir a autorealização.

ANGELIS, Joanna de (Espírito). Autodescobrimento – uma busca interior. 13ª ed. Psicografado por Divaldo P. Franco – Salvador, BA – Liv. Espírita alvorada, 1995.
________. O Ser Consciente. Psicografado por Divaldo P. Franco Liv. Espírita Alvorada. Salvador – BA, 1995.
________. Vida: desafios e soluções. 6ª ed. Psicografado por Divaldo P. Franco Liv. Espírita Alvorada. Salvador – BA, 1997.
________. O despertar do espírito. 4ª ed. Psicografado por Divaldo P. Franco Liv. Espírita Alvorada. Salvador – BA, 2000.
FILHO, Clovis C. de Souza. Introdução à psicologia tibetana. Vozes. Petrópolis – RJ, 1982.
OSHO. Aprendendo a silenciar a mente. 5ª ed. Sextante. Rio de Janeiro – RJ, 2002.
TABONE, Márcia. A psicologia transpessoal. Introdução à nova visão da consciência em psicologia e educação. Cultrix. São Paulo – SP, 1992.

sábado, junho 25, 2005

 

CRISE MORAL

A época em que vivemos é de perturbação e transição. A fé religiosa é pouca e as grandes linhas da filosofia do futuro não aparecem, senão a uns poucos pensadores. Certamente, a época atual é grande pela soma dos progressos realizados. A civilização moderna potentemente aparelhada transformou a face da Terra, aproximou os povos, suprimindo as distâncias. A instrução derramou-se, as instituições aprimoram-se, o direito substituiu o privilégio. Uma grande batalha empenha-se entre o passado, que não que morrer, e o futuro, que faz esforços por vir à vida. E em favor dessa luta, o mundo agita-se e marcha. Um impulso irreversível o arrasta e o caminho percorrido, os resultados adquiridos, fazem-nos anunciar conquistas mais admiráveis, mais maravilhosas ainda.

Mas se os progressos alcançados na ordem física e intelectual são notáveis é, pelo contrário, quase nulo o adiantamento moral do homem e, neste ponto, o mundo parece estar recuando. As sociedades humanas febrilmente absorvidas pelas questões políticas, industriais e financeiras sacrificam seus interesses morais em benefício do bem-estar material. Mesmo os progressos da civilização sendo visíveis sobre todos os aspectos, nem por isso, como tudo que é feito pelo homem, deixa de ter sombras por baixo. Isso porque, mesmo conseguindo melhorar as condições de existência, conseguiu também multiplicar as necessidades de satisfação pessoal, aguçando os apetites, os desejos, o sensualismo e a depravação. O amor do prazer, do luxo, das riquezas tornou-se mais e mais ardente. O homem quer adquirir, possuir, a todo o custo.

Essa necessidade do material, das falsas ilusões, resulta em especulações deprimentes que se ostentam à luz do dia, e daí advém esse rebaixamento da moral e da consciência, haja vista que a solidariedade e a fraternidade ocupam espaços apenas nos discursos. Ainda se morre de fome, ainda reina a corrupção, o vício, a injúria, a mentira, o homem enganando e matando seu semelhante. Nossos males existem. Apesar dos progressos da ciência e do desenvolvimento da instrução, o homem ignora a si próprio. Ele sabe pouco ou nada sabe das leis do universo, das forças que estão dentro de si. E assim sendo, a célebre frase de Sócrates, "conhece-te a ti mesmo", soa para a maioria apenas como um apelo estéril, porque a imensa maioria dos homens ainda ignora o que é, de onde veio, para onde vai, e qual o fim real de sua existência. Nessa dúvida, o espírito humano flutua, indeciso, entre as solicitações de duas grandes potências. De um lado, as religiões, com seus erros e superstições, seu espírito de dominação e intolerância, mas também com as consolações advindas da fé que elas pregam. De outro lado, a ciência, materialista tanto em seus princípios como em seus fins, com exagerada inclinação para o individualismo, mas também com o prestígio de seus trabalhos e descobertas.

E essas duas grandezas, a religião sem provas e a ciência sem ideal, combatem-se, sem poderem vencer, porque cada uma delas corresponde a uma necessidade imperiosa do homem: uma fala ao coração (religião), e a outra dirige-se ao espírito e à razão (ciência). No meio dessa confusão de idéias, a consciência perde sua bússola e sua rota e, ansiosa, caminha ao acaso. E na incerteza que sobre ela pesa o bem e o justo se perdem, e a conseqüência desse conflito se faz sentir por toda a parte: no ensino, na família, na sociedade. Para a humanidade sair deste estado de crise só há uma solução: achar um caminho de conciliação entre duas forças inimigas: o sentimento e a razão, para que as duas possam se unir para o bem e a salvação de todos. Pois, pelo sentimento, o homem pensa e pela razão, procede. Havendo um acordo entre pensar e proceder, haverá ao espírito o equilíbrio e a harmonia.

Gilberto Luiz Tomasi
 

A LEI DO AMOR

Segundo Leon Denis, o amor é a celeste atração das almas e dos mundos, é a potência Divina que liga e governa os universos, o amor é o olhar de Deus. Para Platão, o amor é o mais antigo, o mais nobre e o mais poderoso dos Deuses e o principal autor e inspirador da virtude nesta vida e da felicidade depois da morte. Já Leocadio José Correa, diz que o amor constitui a possibilidade infinita.

Mas, não podemos designar com tal nome a ardente paixão que atiça tão somente os desejos carnais. Esta não passa de uma imagem, de uma grosseira aparência do amor. O amor é o sentimento superior em que se fundem e se harmonizam todas as qualidades do coração, é o coroamento das virtudes humanas, da doçura, da caridade, da bondade, é a manifestação na alma de uma força que nos eleva acima da matéria.

A liberdade humana será sempre limitada e não poderá atingir sua plenitude se não pelo amor, e esse amor só será autêntico quando transforma a nossa vida em participação, em alegria, levando-nos a descobrir que, além de nós, existem os outros, com quem queiramos ou não teremos de conviver. E nesta convivência, só é capaz de amar, aquele que sabe: 1) Dar-se aos outros em espírito e verdade; 2} Renunciar sem manter a revolta em seu interior; 3} Esquecer ofensas, limitando-se a aceitar antes de reclamar; 4} Desprender-se das futilidades terrenas, sabendo controlar a emoção, a sensibilidade, a sensualidade e a mentira.

A vida é sol, terra, cosmos, é tudo o que o criador nos oferece para alcançarmos pelo trabalho, compreensão, caridade, fé, tolerância, prudência e pelo amor, que é a evolução inteligente. Portanto, quando nos inclinamos a dizer: Chega, cansei, vou mudar, vou ser ruim, vou dar o troco, vou viver a minha vida, estamos apenas demonstrando a nossa pequenez e inferioridade, pois amar não cansa, ao contrário nos traz mais disposição, alívio, força, porque o amor representa compreensão, dedicação, tolerância, construtividade do mundo, preocupação com os deveres, que por sua vez representam a vida do próximo, mas acima de tudo representa objetividade não apenas na evolução própria, mas também na evolução coletiva.

Joana d`Angelis nos alerta que sempre que estivermos tristes, angustiados, deprimidos, enfim com qualquer tipo de problema, lembremos do amor. Quando estivermos sendo perseguidos, ou quando estivermos perseguindo, lembremos do amor, e com certeza teremos todos os problemas resolvidos.

Somente haverá maior aproximação entre os homens, quando houver realmente uma aproximação dentro do grupo biológico - a família – porque o amor deve ser desenvolvido dentro do lar, onde geralmente estão reunidos os espíritos que precisam de reconciliação, de acertos, e para isso, é necessário varrer o ódio de seu íntimo, do seu coração.

Leon Denis lembra, que algum dia nos encontraremos, quer neste mundo, quer nas existências vindouras, quer em esferas mais elevadas ou na imensidão dos espaços. Devemos pois saber que somos destinados a nos influenciarmos no sentido do bem e a nos ajudarmos na ascensão comum, pois somos todos filhos de um mesmo Deus, e todos os seres foram criados para amar.

Gilberto Luiz Tomasi
Depois da Morte (Leon Denis)
Mensagens de Amor (Mauri Rodrigues, Leocadio José Correa)
Grandes e Pequenos Problemas (Angel Aguarod)
O Espírito na Criação (Arsênio Ravolieri)

domingo, junho 19, 2005

 

AUTODESPERTAMENTO

No livro O Problema do Ser, do Destino e da Dor, que é uma obra clássica da literatura espírita, Léon Denis faz uma abordagem profunda sobre a questão da poderosa rede de forças energéticas ocultas na criatura humana, que é merecedora de uma atenção toda especial da parte dos adpetos da doutrina espírita. Evidentemente inspirado, Léon Denis, que foi um desbravador do espiritismo, afirma que as causas da verdadeira felicidade e de tantos outros sentimentos nobres não se encontram em locais pré-determinados no espaço sideral, mas sim, nas profundezas da alma humana, devidamente ensinadas pelas doutrinas religiosas e em particular pelo próprio Jesus Cristo, quando afirmou: "O reino dos céus está dentro de vós."

É, portanto, na vida íntima de cada ser humano, onde se encontram as suas potencialidades que brotam por intermédio das suas faculdades e virtudes, portadoras de valores que vão projetar a felicidade e a evolução legítima por completo. Para se alcançar esse patamar é imprescendível o exercício do recolhimento íntimo, disciplinando-se a força de vontade que deseja identificar os sentidos psíquicos, localizados nas zonas mais profundas do ser. Em decorrência desses hábitos adquiridos pela auto-educação, ocorre o despertamento da consciência para as superiores realidades da vida. A introspecção possibilita, além do autoconhecimento, a lapidação das arestas imperfeitas do próprio caráter, com o afloramento gradual da humildade, o senso de justiça, amor e caridade. A força de vontade exerce uma influência fundamental para que o ser humano possa dominar-se, vencer dificuldades e solucionar problemas intrincados.

A vontade é uma força tão poderosa que pode atuar com intensidade suficiente sobre o envoltório fluídico do ser espiritual, ativando as suas vibrações e apropriando-o gradualmente para as sensaçãoes e emoções cada vez mais elevadas. Sob o efeito da vontade surgem a paciência, a perseverança e a autoconfiança, forças preservadoras das causas de desassossego e de perturbação interna e externa. A vontade, educada através do exercício persistente, pode levar o indivíduo a conseguir resultados prodigiosos no campo mental, com reflexos imediatos na conduta moral do homem.

Como diz o ditado popular "querer é poder", o ser humano, conhecendo os seus próprios recursos latentes, descobre o crescimento das suas forças, dirigindo os seus esforços, afim de superar as próprias fraquezas físicas e morais, desperta a consciência para iniciar a verticalização gradual da própria espiritualização. (Joana D’angelis)

No livro Vida, Desafios e Soluções, Divaldo Pereira Franco diz que “a fase inicial da vida, sob qualquer aspecto considerado, é a do sono”. Por isso mesmo, conforme sintetizou com muita propriedade Léon Denis, o psiquismo "dorme no mineral, sonha no vegetal, sente no animal e pensa no homem" e prossegue, com intensa capacidade da intuição, no anjo, adquirindo novas experiências sem cessar, infinitamente. Todo ser está fadado à perfeita sintonia com a consciência cósmica, que nele dorme, aguardando os fatores que lhe propiciem o desenvolvimento, o contínuo despertar.

Despertar, portanto, segundo Joana D’angelis, é indispensável, abondonando a letargia que procede das faixas por onde transitamos, libertando-nos do marasmo, em forma de sono da consciência, para as realidades transcendentes, escravizando o si nas paixões remanescentes, adormecidas, por sua vez, no inconsciente profundo, que prossegue enviando mensagens pessimistas e perturbadoras.

Conscientizar-se do que é, do que necessita fazer, de como conseguir o êxito, constitui, para o ser, chamamento urgente, como contribuição valiosa para o empenho na inadiável tarefa da revolução íntima transformadora. Não poucas vezes encontramos no comportamento humano as referências ao dormir, estar dormindo, adormecido, caracterizando estados existencias de criaturas. Certamente, a maiora está adormecida para as próprias realidades, para os desafios da evolução, para as conquistas do si.

Imediatamente apaixonada por interesses mesquinhos, mergulhada em sombas ou fascinada pelo doentio narcisismo, prefere permanecer em estado de consciência de sono, a experimentar o despertamento para a lucidez, portanto, para os compromissos em realação à vida e ao crescimento interior, que se lhe apresenta como um verdadeiro parto, no que tem razão. Despetar para a realidade nova da vida é como experimentar um parto interior, profundo, libertador, dorido e feliz.

Palestra efetuada ma Comunháo Espírita Cristã de Curitiba
Gilberto Luiz Tomasi.

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